7:12am
Há café, há leite
há saudade, hão idéias
Na espera para usar o banheiro, escutando música no seu computador, ela pensa sobre o que há de ser se for para ser. Será que deve haver o ser após a existência do talvez? Um minuto de reflexão. Conclusão: nem ela mesma entendeu a natureza desta questão.
O banheiro desocupou. Não há mais café, não há mais leite, só há cotidiano. E com essa paródia de Chico Buarque é que ele, outrora ela, vai para o dia.
terça-feira, outubro 26, 2004
domingo, outubro 03, 2004
Vonstrouisk Mestrusk Rebertus
12 diks osctrubs sest 2004
Nil dis, irh comans ust cauffs iek kuass. Er straunus comns teits forken lakrus enst vreissper der caindeitur. Kreis treink urka maurkin dust traimps.
Irh treismin mors mausknifasst iek. Sauris ust mausknifasst ek naigels irsha aiterdauss. Ust greits mauds, ust greits segauls.
12 diks osctrubs sest 2004
Nil dis, irh comans ust cauffs iek kuass. Er straunus comns teits forken lakrus enst vreissper der caindeitur. Kreis treink urka maurkin dust traimps.
Irh treismin mors mausknifasst iek. Sauris ust mausknifasst ek naigels irsha aiterdauss. Ust greits mauds, ust greits segauls.
quarta-feira, setembro 29, 2004
segunda-feira, setembro 27, 2004
A senhora argumenta com um leve olhar de desconsolo:
- Ah, minha filha, Três Passos é uma cidade tão bonita! Ainda mais na mocidade.
A garota, sem jeito, responde:
- Não conheço, mas tenho que ir para Carazinho mesmo...
Nesse instante esse diálogo já havia despertado a avariada atenção do auxiliar de rodoviária e alguns ouvidos atentos e curiosos.
A senhora retruca:
- Mas te garanto que Três Passos ia agradar-lhe. E uma moça tão bonita com certeza ia fazer muito sucesso por lá.
A senhora sorria enquanto a garota fica levemente vermelha de vergonha, que, provavelmente só foi notado por ela mesma.
A garota tenta mudar de assunto:
- A senhora conhece Carazinho?
A senhora responde:
- Sim! Muito já fui para lá! Tenho uma irmã que mora lá, digo, tinha. Ela faleceu há uns anos. Muito triste...
Houve um momento incrivelmente longo de reflexão tendo em vista que só durou poucos segundos, que foi interrompido por um apressado passageiro que passou por elas para guardar a sua mala.
A senhora volta a olhar para a garota e retoma a "venda" de Três Passos:
- Neste fim de semana teremos um festival muito conhecido em Três Passos, o Blumenfest! Uma alegria para a cidade e um deleite para a juventude! Irias te divertir muito por lá!
A garota abre a boca para falar alguma coisa quando é interrompida pelas maravilhas de Três Passos relatadas por aquela irrevogável fã da terceira idade:
- Ah! Que cidade maravilhosa! Meu falecido marido amava aquela cidade como eu! Nossa rua, nossa casa, nossos amigos, enfim, Três Passos é a nossa terra e família! Passei dois dias aqui em Porto Alegre e não vejo a hora de voltar! Só me acalmo quando entro em casa e tomo um chá de camomila, claro, a que eu planto no meu quintal...
O relato da senhora é tão apaixonado e cativante que a garota prefere achar um novo meio de se fazer entender:
- Deve ser ótimo! Mas mesmo se eu fosse para lá, eu não tenho parentes e nenhum lugar para ficar lá. Tem algum hotel?
A velha senhora responde muito atenciosa:
- Imagina! Ninguém deve ir à Três Passos para ficar em qualquer hotel! Podes ser minha hóspede!
Realmente não tinha como se fazer entender. Aquela senhora estava determinada. Última tentativa:
- Que isso! Não poderia abusar da sua boa vontade!
- Sem problemas! Seria um prazer! - Disse a senhora.
- Mesmo?
- Claro! Vou lhe levar à festa! Vais adorar! Tenho uma neta que deve ter a sua idade.
- Bom, nesse caso... Moço, é para Três Passos.
- Ah, minha filha, Três Passos é uma cidade tão bonita! Ainda mais na mocidade.
A garota, sem jeito, responde:
- Não conheço, mas tenho que ir para Carazinho mesmo...
Nesse instante esse diálogo já havia despertado a avariada atenção do auxiliar de rodoviária e alguns ouvidos atentos e curiosos.
A senhora retruca:
- Mas te garanto que Três Passos ia agradar-lhe. E uma moça tão bonita com certeza ia fazer muito sucesso por lá.
A senhora sorria enquanto a garota fica levemente vermelha de vergonha, que, provavelmente só foi notado por ela mesma.
A garota tenta mudar de assunto:
- A senhora conhece Carazinho?
A senhora responde:
- Sim! Muito já fui para lá! Tenho uma irmã que mora lá, digo, tinha. Ela faleceu há uns anos. Muito triste...
Houve um momento incrivelmente longo de reflexão tendo em vista que só durou poucos segundos, que foi interrompido por um apressado passageiro que passou por elas para guardar a sua mala.
A senhora volta a olhar para a garota e retoma a "venda" de Três Passos:
- Neste fim de semana teremos um festival muito conhecido em Três Passos, o Blumenfest! Uma alegria para a cidade e um deleite para a juventude! Irias te divertir muito por lá!
A garota abre a boca para falar alguma coisa quando é interrompida pelas maravilhas de Três Passos relatadas por aquela irrevogável fã da terceira idade:
- Ah! Que cidade maravilhosa! Meu falecido marido amava aquela cidade como eu! Nossa rua, nossa casa, nossos amigos, enfim, Três Passos é a nossa terra e família! Passei dois dias aqui em Porto Alegre e não vejo a hora de voltar! Só me acalmo quando entro em casa e tomo um chá de camomila, claro, a que eu planto no meu quintal...
O relato da senhora é tão apaixonado e cativante que a garota prefere achar um novo meio de se fazer entender:
- Deve ser ótimo! Mas mesmo se eu fosse para lá, eu não tenho parentes e nenhum lugar para ficar lá. Tem algum hotel?
A velha senhora responde muito atenciosa:
- Imagina! Ninguém deve ir à Três Passos para ficar em qualquer hotel! Podes ser minha hóspede!
Realmente não tinha como se fazer entender. Aquela senhora estava determinada. Última tentativa:
- Que isso! Não poderia abusar da sua boa vontade!
- Sem problemas! Seria um prazer! - Disse a senhora.
- Mesmo?
- Claro! Vou lhe levar à festa! Vais adorar! Tenho uma neta que deve ter a sua idade.
- Bom, nesse caso... Moço, é para Três Passos.
terça-feira, setembro 21, 2004
Após um movimentado fim de semana, ela espera para guardar a sua mala no bagajeiro do ônibus Porto Alegre/Três Passos via Carazinho para voltar para a sua casa. A sua frente uma senhora aprentando uns 65 anos, mas é difícil dizer, uma vez que a vida se prontifíca de dar a cara à idade de cada um.
Guardando as malas estava o auxiliar de rodoviário: um homem de 20 e poucos anos, pele escura, rosto cansado e humor desgastado, afinal, eram 22:30 de um feriado.
Ele pergunta para a senhor:
- Três Passos?
E a senhora responde com muito amor à terra:
- Sim, Três Passos.
Após isso, o auxiliar pergunta para a garota:
- Três Passos?
Ao qual ela responde sem muita expressão:
- Não, Carazinho.
Eis que a senhora olha para tráz e, com um rosto surpreso, diz:
- Não vai para Três Passos?
E é nesses momentos que a vida deixa de ser uma televisão, para ser um teatro.
A garota deixa escapar um pequeno sorriso e responde:
- Não, vou para Carazinho.
to be continued...
Guardando as malas estava o auxiliar de rodoviário: um homem de 20 e poucos anos, pele escura, rosto cansado e humor desgastado, afinal, eram 22:30 de um feriado.
Ele pergunta para a senhor:
- Três Passos?
E a senhora responde com muito amor à terra:
- Sim, Três Passos.
Após isso, o auxiliar pergunta para a garota:
- Três Passos?
Ao qual ela responde sem muita expressão:
- Não, Carazinho.
Eis que a senhora olha para tráz e, com um rosto surpreso, diz:
- Não vai para Três Passos?
E é nesses momentos que a vida deixa de ser uma televisão, para ser um teatro.
A garota deixa escapar um pequeno sorriso e responde:
- Não, vou para Carazinho.
to be continued...
quinta-feira, setembro 16, 2004
Ele nunca entendeu direito o que significava aquela história da galinha e do ovo. Era tudo tão banal. Para ele não importava quem tinha vindo primeiro, que diferença fazia isso? Qual a moral dessa pergunta? Ela tem resposta? Essas eram as perguntas que ele não tinha resposta. Dia e noite ele pensava, pensava e nada de chegar a uma conclusão.
Apesar de achar irrelevante tal questionamento, ele o respeitava, pois diziam que era filosofia oriental. Ele sabia que só podia ser coisa de algum velho de olho puxado que fuma um cachimbo longo e fino.
Fez pesquisas. Desenvolveu teses em sua cabeça que cada vez mais fica cheia de perguntas. Até leu em um livro que não existe evolução hereditária em animais formados, apenas nos em formação, então tinha que ter sido o ovo. Só podia ser o ovo. Mas pq ainda se perguntavam isso? Por que era legal? Cult?
Ele chegou a uma conclusão de que isso era mais uma pergunta com resposta que se mantinha devido ao vínculo com a tão famosa e respeitada filosofia oriental, e, com certeza, aquele velho que fuma cachimbo fez uma pergunta incrivelmente filosófica, mas foi só para a sua época? Conclui que muitas das perguntas que são feitas tem resposta, que muitos sonhos são reais e que a verdade é mascarada de realidade pelos olhos humanos.
Mas não foi essa conclusão que lhe fez sentar e tomar um café sozinho. Foi o fato de que ele passou anos se questionando sobre o ovo e galinha, e chegou a uma resposta teórica que podia ter chegado nos primeiro instantes em que começou a pensar sobre o assunto. Uma pergunta simples fez dele alguém mais crítico, mais sábio e mais ignorante ao mesmo tempo. Será que era viável se perguntar pensando em achar uma resposta, ou seria mais sensato se perguntar pensando que pode não haver uma só resposta, que nem tudo é teórico?
Após uma pausa, ele pensou mais. E mais. E outra pergunta lhe ocorreu: vi que a resposta nem sempre é a conclusão, mas o caminho. Então, o que veio primeiro: a luz ou a iluminação?
E ele se sentou de novo e pensou, pensou e ainda pensa.
Apesar de achar irrelevante tal questionamento, ele o respeitava, pois diziam que era filosofia oriental. Ele sabia que só podia ser coisa de algum velho de olho puxado que fuma um cachimbo longo e fino.
Fez pesquisas. Desenvolveu teses em sua cabeça que cada vez mais fica cheia de perguntas. Até leu em um livro que não existe evolução hereditária em animais formados, apenas nos em formação, então tinha que ter sido o ovo. Só podia ser o ovo. Mas pq ainda se perguntavam isso? Por que era legal? Cult?
Ele chegou a uma conclusão de que isso era mais uma pergunta com resposta que se mantinha devido ao vínculo com a tão famosa e respeitada filosofia oriental, e, com certeza, aquele velho que fuma cachimbo fez uma pergunta incrivelmente filosófica, mas foi só para a sua época? Conclui que muitas das perguntas que são feitas tem resposta, que muitos sonhos são reais e que a verdade é mascarada de realidade pelos olhos humanos.
Mas não foi essa conclusão que lhe fez sentar e tomar um café sozinho. Foi o fato de que ele passou anos se questionando sobre o ovo e galinha, e chegou a uma resposta teórica que podia ter chegado nos primeiro instantes em que começou a pensar sobre o assunto. Uma pergunta simples fez dele alguém mais crítico, mais sábio e mais ignorante ao mesmo tempo. Será que era viável se perguntar pensando em achar uma resposta, ou seria mais sensato se perguntar pensando que pode não haver uma só resposta, que nem tudo é teórico?
Após uma pausa, ele pensou mais. E mais. E outra pergunta lhe ocorreu: vi que a resposta nem sempre é a conclusão, mas o caminho. Então, o que veio primeiro: a luz ou a iluminação?
E ele se sentou de novo e pensou, pensou e ainda pensa.
domingo, setembro 12, 2004
quinta-feira, setembro 09, 2004
Bah, tem gente que não viu Senhor dos Anéis, mas nada pior do que não ver, é não entender o filme.
Então ai vai uma ajuda para ninguém mais falar besteiras e nem passar vergonha na frente dos amigos: Senhor dos Anéis (a sociedade do anel, duas torres e retorno do rei) em 1'50"!!
Lo senhorito de los anelijos!
Então ai vai uma ajuda para ninguém mais falar besteiras e nem passar vergonha na frente dos amigos: Senhor dos Anéis (a sociedade do anel, duas torres e retorno do rei) em 1'50"!!
Lo senhorito de los anelijos!
sábado, agosto 28, 2004
Tendo como campo de visão uma sala mau decorada e um corpo estendido no chão, Sara coloca um cigarro entre os dedos, umedece os lábios, leva o cigarro até a boca, tira do bolso interno de seu casaco um isqueiro metálico e acende o cigarro. A primeira tragada soa como um suspiro em chamas, a segunda lhe traz uma sensação nostálgica de que já havia visto aquela cena milhares de vezes, e, de fato ela já havia executado trabalhos semelhantes onde todos os corpos se parecem com o da primeira vítima.
Os 10 segundos que Sara permaneceu ao lado do corpo encarando-o caíram para ela como um filme, onde a sua vida era encenada por pessoas que ela nunca conheceu e em situações que ela não estava, mas era a sua vida, tinha que ser, afinal era a única que ela lembrava.
A alta mulher sai do quarto deixando para trás três balas 9mm presas entre o flácido corpo estendido no chão, sujando o que parecia o único tapete da sala.
Os 10 segundos que Sara permaneceu ao lado do corpo encarando-o caíram para ela como um filme, onde a sua vida era encenada por pessoas que ela nunca conheceu e em situações que ela não estava, mas era a sua vida, tinha que ser, afinal era a única que ela lembrava.
A alta mulher sai do quarto deixando para trás três balas 9mm presas entre o flácido corpo estendido no chão, sujando o que parecia o único tapete da sala.
sexta-feira, agosto 27, 2004
Depois de deitar a sua cabeça no travesseiro ele pensa no dia que passou, em todo os serás, em todos os quem sabe que o seu dia lhe apresentou e em todas as vidas que ele podia ter escolhido. Seria melhor ter dito sim para ela? Será que teria dado certo? Mais uma vez ele sente que a vida tem mais talvez do que sim, que seus medos tem mais bocas do que ouvidos.
Um passo no corredor lhe faz lembrar do que ele será quando decidir por todos os poréns. Será ele alguém que possa dizer sim? Será apenas o talvez que sempre foi? Que sempre temeu. Seus pensamentos se perdem em possibilidades de uma vida diferente, de um beijo, de um tapa. Toda a vida ele sentiu que vesia uma luva que não lhe servia, mas uma que ele amava e temia. Temor. Temor. Temor? De que?
Não seria melhor tentar fazer alguma coisa? Será que daria certo? E se não der? Mas eu quero... Quero...
Seus olhos fechados e seu corpo relaxado dormem enquanto a sua mente se perde em algum pensamento naufragado pelo mar de dúvidas, amores, piadas, cantos, casos e descasos que habitam sua vida e pulsam seu coração.
Um passo no corredor lhe faz lembrar do que ele será quando decidir por todos os poréns. Será ele alguém que possa dizer sim? Será apenas o talvez que sempre foi? Que sempre temeu. Seus pensamentos se perdem em possibilidades de uma vida diferente, de um beijo, de um tapa. Toda a vida ele sentiu que vesia uma luva que não lhe servia, mas uma que ele amava e temia. Temor. Temor. Temor? De que?
Não seria melhor tentar fazer alguma coisa? Será que daria certo? E se não der? Mas eu quero... Quero...
Seus olhos fechados e seu corpo relaxado dormem enquanto a sua mente se perde em algum pensamento naufragado pelo mar de dúvidas, amores, piadas, cantos, casos e descasos que habitam sua vida e pulsam seu coração.
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